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"É ténue a fronteira que delimita um sonho de um pesadelo.O acordar para a realidade é ter conhecimento dessa fronteira!"

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Capítulo XL ---->


Era tempo de novos herois.
Os dados estavam lançados e o carrocel no meio da estrada.
Faíscavam pequenas estrelas sem dono nem lei e iam-me acompanhando à boleia de fé em coisa nenhuma.
Ao som estridente da minha distração, saltava barreiras laterais a meu lado, num qualquer desassossego alinhavado com tamanha direcção errante, qual fio de condutor descartado e sem carta.
De tempos a tempos, eis-me parado à espera de sinais transitados de um código inventado por ti.
Sem a cábula para me amparar as quedas, não dava sequer tempo para milagres agridoces.
Fazía-me valer da qualidade implícita de saber adivinhações.
Resta-me esperar por ti...
 

Capitulo LVII ---->


Queria ser pássaro.
Queria ser poeta na voz de alguém e cantar como ninguém.
Poder voar à noite só para te deixar um beijo e fazer parte dos teus sonhos.
Dizer-te o conjunto das palavras mais bonitas que ainda ninguém conseguiu escrever.
Ser em ti não só existência mas a essência das pequenas coisas que me fazem ser o que sou.
Escrever-te na palma da mão, e mesmo não a sabendo ler, perceberes que te quero para mim.
Viajar por entre os teus cabelos, mergulhar no teu olhar e deixar-me definhar na tua boca.
Ver e sentir o mundo num só momento a cada vez que te olho.
Queria ser tudo mesmo tendo tão pouco.
Mas bastará que me queiras e terei o mundo todo na mão.
 

Capitulo LVIII ---->


O frio fez-se notar.
A porta anunciava aos quatro ventos, com a força de punho firme com que o vento a beijava.
Na calma da noite, buliam agora dedos de uma alma inquieta na viola trazida pela chuva fria.
Em redor do meu luar, o ar misturava-se numa sensualidade gélida e quase sombria fazendo-me sorrir.
Via-me eu arrepiando a cada esgar temporal, mas nem assim disfarçava contentamento.
Na mente periódica de saltimbancos e andarilhos meteorológicos, sinto-me em casa confortavelmente sentado no sofá das areias do tempo.
Tudo indiciava quando orla matinal ganhasse corpo, o sol chegaria vestido de neve.
E o tempo estava mudado.
 

Capitulo LIX ---->


Lá no alto.
Bem alto onde a voz se faz ouvir.
Gritos soltos largados no tempo e libertos a tempo, atravessam ruas e almas peregrinas.
Sigo os passos de alguém que me chama a plenos pulmões. Calcorreio montanhas de fé.
Enquanto me sinto arrefecer por dentro, o calor das minhas mãos faz-me acreditar em ti.
Sinto-me envolvido pelo teu manto tão confortável na minha esperança em te voltar a ver.
Nada me trava os passos firmes nem a força bruta com que vou pisando o chão que me atormenta.
Dias e noites bebem o meu suor e incitam-me a desistir. Mas sei que não posso nem quero.
Se me chamas, se vou até ti, também sei que me esperas.
 

Capitulo LVI ---->


Uma palavra não chega.
Um gesto, mesmo sendo aquele movimento perfeito, não chega.
Mesmo tendo nas mãos a fogueira que me ilumina a alma, não aquece a tua.
Aprendo a ler as cartas sem palavras que um dia me escreveste com os olhos e ainda assim, não te consigo entender.
Nos meus trago frases feitas com sinais de fumo e sinto-me derreter.
Vejo à noite promessas de cumplicidade que o tempo foi tentando apagar e sei finalmente quem és.
Via-me ali tão perto, mas ao mesmo tempo longe de tudo.
Agora o vento vem cantando novos rumos.
É tempo de partir.
 
 
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